Brincar

Tive que me ensinar a brincar na vida adulta e esse foi um dos presentes mais especiais que pude dar a todas as versões de mim mesma.
Não foi rápido, nem fácil, mas eu tive que me ensinar a brincar na vida adulta e principalmente, assumir o erro como parte principal do meu trabalho. Errar não é exatamente um problema, mas não ser capaz de extrair aprendizado a partir do erro pode ser bem mais problemático. À medida que a gente amadurece, a flexibilidade parece que vai ficando cada vez mais rara, não apenas a das nossas articulações, mas ela em todos os sentidos. Seriedade foi uma palavra que rolou muito lá em casa quando eu era criança, meu pai me ensinou bem cedo e repetia com bastante frequência. Seriedade, Mariana, tem que falar com seriedade, apresentar com seriedade, chega lá e faz isso com seriedade. Meu pai, que era um cara super divertido e alto astral, talvez não teve tempo suficiente pra explicar exatamente o quanto de flexibilidade dava para aplicar a essa palavra. Isso eu tive que aprender sozinha.
Uma coisa que perdi bem rápido enrijecendo minha postura ao redor das responsabilidades foi autenticidade. Segundo Donald Winnicott ensinar um adulto a brincar não é fazê-lo agir como criança, mas sim reabrir o canal da espontaneidade. Pois é, antes de me ensinar a brincar, esse canal se estreitou e muito e não precisa ser nem um sherlock holmes pra saber que alguma dessas próximas palavras vai aparecer o famoso BURN OUT. Sim, ele veio no início dos 30 e chegou chegando porque quando a gente acha que nosso personagem já desenvolveu bastante, tem sempre mais uma graduação pela frente.